domingo, 19 de setembro de 2010

Religiões devem se unir pela paz, o meio ambiente e a vida, diz Papa

Religiões devem se unir pela paz, o meio ambiente e a vida, diz Papa

Dom, 19/Set/2010 10:39 Ecologia Interior

LONDRES, 17 SET (ANSA) - O papa Bento XVI pediu respeito e liberdade de culto ao se reunir hoje com representantes de diversas religiões em seu segundo dia da viagem ao Reino Unido, e solicitou que essas comunidades trabalhem unidas pela paz, pelo meio ambiente e em defesa da vida.
A "colaboração e o diálogo entre as religiões" requerem "o respeito recíproco, a liberdade de praticar a própria religião e de cumprir atos de culto público, como também a liberdade de seguir a própria consciência sem sofrer ostracismo ou perseguição, mesmo depois da conversão de uma religião a outra", declarou o Pontífice, enfatizando "situações em algumas partes do mundo".
Na quarta-feira, ainda na Itália, Bento XVI comentou os ataques a igrejas e escolas cristãs realizados após o anúncio de um pastor norte-americano da queima de exemplares do Alcorão. Ele disse seguir "com preocupação" os atos, citando Índia, Paquistão e Afeganistão, e apontou que "o respeito à liberdade religiosa e à lógica da reconciliação e da paz devem prevalecer sobre o ódio e a violência".
"Desde o Concílio Vaticano II a Igreja Católica dedicou uma ênfase especial à importância do diálogo e da colaboração com os seguidores de outras religiões. E para que seja profícuo, é necessário reciprocidade de todos os componentes e por parte dos seguidores das outras religiões", afirmou no encontro realizado em uma sala da St. Mary¿s University College, próxima a Londres.
Segundo o chefe de Estado do Vaticano, "uma vez que este respeito e atitude aberta são estabelecidos, pessoas de todas as religiões trabalharão juntas de modo eficaz pela paz e a compreensão mútua, oferecendo portanto um testemunho convincente ao mundo".
O principal evento programado nos quatro dias da visita de Estado ao Reino Unido é a beatificação do cardeal John Henry Newman, anglicano que se converteu ao catolicismo no século XIX -- ação que tem sido vista como uma tentativa de aproximação com a Igreja Anglicana. Desde a ruptura entre o rei Henrique VIII e a Santa Sé, que resultou na criação desta religião, esta é a primeira visita oficial de um papa ao país. João Paulo II esteve em território britânico em 1982, mas para uma viagem pastoral.
Além do "diálogo da vida", que implica que pessoas de diversas religiões "simplesmente vivam lado a lado e aprendam umas com as outras a crescer na recíproca compreensão e respeito", Bento XVI invocou um "diálogo da ação, que nos aproxime de formas concretas de colaboração" para "promover o desenvolvimento humano integral, trabalhando pela paz, a justiça e a salvaguarda da Criação".
De acordo com o Pontífice, este tipo de diálogo "pode incluir a exploração conjunta de como defender a vida humana em cada estágio e como assegurar a não exclusão da dimensão religiosa de indivíduos e comunidades da vida da sociedade".
"Os católicos, tanto na Grã-Bretanha como no mundo todo, continuarão a edificar pontes de amizade com outras religiões, para sanar os erros do passado e promover a confiança entre os indivíduos e a comunidade", continuou o Santo Padre. "A Igreja católica busca o caminho do compromisso e do diálogo para um sentido genuíno de respeito por vocês e por suas crenças", completou o Papa.
Antes de iniciar seu discurso aos líderes religiosos, Bento XVI quis "formular votos à comunidade hebraica na Grã-Bretanha e no mundo todo para uma celebração feliz e santa do Yom Kippur", o Dia do Perdão, a data mais sagrada do calendário judeu, comemorado hoje. Antes de sua intervenção, Joseph Ratzinger ouviu a saudação do rabino-chefe britânico, Jonathan Sacks, e do representante muçulmano Kaled Azzam.
Às 16h (12h no horário de Brasília), o Pontífice fará uma visita de cortesia ao arcebispo anglicano de Canterbury, Rowan Williams, chefe da Igreja da Inglaterra, no Lambeth Palace. Depois, encontrará membros da sociedade civil e cultural, estudiosos e diplomatas no Westminster Hall, e finalmente participará de uma celebração ecumênica na Westminster Abbey. (ANSA)

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